domingo, 14 de agosto de 2016

Subversões do tempo

Se não for
neste minúsculo espaço
de tempo que sobra
entre um respiro e outro,
momento algum há de restar
para traduzir em versos
o atropelo dos fatos
depois de acordar.
Se aqui me prolongo,
falta-me ar.
Trabalhar.
Mais um tempo a passar.
Outro respiro.
Ar.

domingo, 22 de janeiro de 2012

E a Moral da Educação?

Este texto estava esquecido no meu e-mail há mais de 1 ano. Tinha começado a escrevê-lo, mas parei por falta de tempo. Então, pedi que minha irmã, Dayse Paula, acrescentasse mais algumas considerações. Ela fez a parte dela, mas até hoje eu ainda não havia parado para lê-lo e publicá-lo. Finalmente encontrei um tempinho.
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Trecho da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948:






 Artigo XVIII - Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

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Fonte: Google Imagens
Nos últimos tempos, tenho percorrido caminhos que me levaram a buscar uma analise mais criteriosa dos conflitos entre as dimensões moral e intelectual da educação, no sentido de responder a questionamentos tais como: até que ponto o professor deve se preocupar e se empenhar para promover o desenvolvimento moral dos alunos?
Achei bastante forte essa questão. Não há dúvidas de que para se ter uma educação integral, ambas as dimensões devem caminhar juntas. Mas percebo que existe um tabu dentro da escola quando o assunto é desenvolvimento moral, assim como vejo dentro das igrejas uma grande despreocupação com o desenvolvimento intelectual. Parece até que houve uma distribuição de responsabilidades e que cada instituição cumpre a sua tarefa sem admitir interferências.
E agora, o que fazer? Assumir isso como uma questão cultural e, ao ir para o trabalho - nós, professores - guardarmos nossos ideais e valores numa caixinha para não corrermos o risco de exercer alguma influência nos ensinamentos familiares e religiosos de âmbito moral dos alunos, centrando-nos apenas no desenvolvimento intelectual? Felizmente não é isso que é defendido no Artigo XVIII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, reproduzido acima. 
Se temos uma religião, uma filosofia de vida, uma ideia sobre o que é certo e o que é errado, uma concepção sobre sexualidade, um gosto musical, um partido político, uma comida preferia, é porque fizemos, em algum momento de nossa vida, uma escolha. Logo, como querer mascarar/esconder/camuflar essas escolhas na atividade educativa, almejando uma falsa neutralidade? Tudo o que falamos ou fazemos está carregado dessas escolhas que fizemos. Somos, no fundo, resultado delas.
É fato, porém, que as escolhas são compatíveis ao estágio de evolução moral de cada um. Nesse sentido, dado que temos liberdade de manifestação de pensamento, consciência e religião pelo ensino, a resposta à minha questão inicial - até que ponto o professor deve se preocupar com o desenvolvimento moral dos alunos? - pode mudar de perspectiva. A influência que exercemos pelo simples contato com os alunos já é uma influência de âmbito moral. Então, talvez a questão correta fosse "até que pondo o professor deve se preocupar com seu próprio desenvolvimento moral?", pois isso implica reavaliar suas escolhas e refletir sobre suas atitudes, na busca de sua reforma pessoal. 

Por Dayse Paula: 
Estamos carregados das nossas escolhas e nos nossos relacionamentos essas escolhas ficam evidentes. Daí entra o tal do preconceito, se eu mostrar como realmente sou, fico vulnerável às críticas alheias, por isso em grande parte das vezes eu finjo ser "neutro". Se tomarmos como exemplo os grandes martíres da humanidade é possível perceber que eles se tornaram exemplos a serem seguidos por defenderem aquilo que acreditavam com o objetivo de transformar o mundo. Na verdade não tomamos isso como exemplo, temos medo de nos expor.
Um professor que toma essa postura diante dos seus alunos está livre das críticas dos pais, dos colegas, mas não está dando tudo de si. Está na superfície e é necessário ir até as profundezas do vasto campo da pedagogia para extrair o que há de melhor nos alunos. Acho até que os alunos tendem a levar isso para casa, essa neutralidade, essa aceitação de tudo sem se questionar, sem discordar, sem opinar sobre as coisas.

O professor, aquele que prepara os cidadãos para o futuro não deve compactuar com isso.

As crianças passam grande parte do seu tempo na escola. Será que existe uma maneira de deixar a moral em casa e ir para a escola? Na hora de voltar para casa é possível deixar o cérebro no armário?

Desenvolvimento intelectual faz com que pensemos mais sobre o mundo, sobre os nossos valores éticos e morais. O desenvolvimento moral só é possível por meio de pensamentos e questionamentos críticos em relação a mim e ao mundo. Logo, não dá para separar o inseparável, uma coisa depende da outra.

domingo, 13 de março de 2011

Conto: Uma História de Maria


A Maria era daquelas, coitada, que não sabem juntar b com a. Burrinha, tadinha. Nunca entrou numa escola. Sempre que começava uma conversação, invocava a Nossa Senhora. Era fatigada, meio gorda e desdentada. Cara ruim que só. Até a ponta do cabelo era amassada. Tinha ânimo nem pra levantar, preferia sentar, deitar, cochilar. E se não tinha controle, não tinha TV. Ia pra cama sem se lavar. A mulher era fã do pão-salsicha-purê. Tinha uma perna maior que a outra, não usava maquiagem. Hábitos noturnos e às vezes selvagens. Tinha tempo de sobra pra fazer nada do que precisaria. Ah Maria, quem diria...
Foi com susto que ela recebeu o convite do Nirto para casar e ir morar noutro lugar. E no mesmo susto foi que ela aceitou sem hesitar. Era o sonho da Maria conhecer o Rio. Aquelas mulheres secas feito fio, andando de biquíni pra lá e pra cá. Aqueles moços fortes e com grana, dando uma de bacana, saindo com a prancha molhados do mar. Tudo isso deixava a bichinha doidinha. Parecia que ia entrar na televisão. Mas agora ia assistir a novela fora da ficção. Maria disse sim no altar para uma vida nova. E foram, ela e o marido, para a cidade maravilhosa viver felizes para sempre.
As coisas demoraram a se acertar: foi a hora em que tudo parou de rimar. Por lá, nada de novela, nem biquínis ou pranchas. O tempo escureceu de vez. Maria descobriu que a vida é mais difícil quando tardamos a dá-la a devida importância. E que depois de sofrer é necessário ter forças para recomeçar. E recomeçaram! O casal foi chamado pra trabalhar para a dona Clarice – uma senhora separada que acabara de chegar da Europa com os filhos. Ele seria o motorista e ela, a arrumadeira. Eles ocupariam o quarto de empregados. O salário seria pouco, mas para quem nunca trabalhou já era grande coisa. O apartamento era aconchegante e bem localizado no bairro do Leme.
A patroa não tinha muitas exigências, só gostava de silêncio; talvez por estar enfrentando dificuldades afetivas e financeiras. Passava horas e horas, às vezes dias inteiros, trancada no escritório. Maria morria de curiosidade, mas continha-se. Não era direito ficar bisbilhotando as coisas da patroa. Certa vez ouviu-a gritar lá de dentro: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome!”, repetindo algumas vezes. A coitada pensou que a velha estivesse louca, mas nem ligou. Voltou à louça. A propósito, só Deus sabe o quanto ela sofreu pra aprender a lavar, passar, cozinhar. Mas Maria, porque Maria, superou.
A jovem estava satisfeita. Não tinha muitas pretensões. Uma das únicas coisas que desejava realmente era que o Nirto fosse um pouquinho mais forte. Não por vaidade, absolutamente. Mas para carregá-la nos braços até a praia, de madrugada, para fazerem amor. Foi o que disse certa vez à dona Clarice durante uma das muitas conversas que vinham tendo. E não é que as duas começaram amizade. A patroa sentia como se descesse do salto para trocar ideias fúteis com a empregada; e isso a fazia surpreendentemente satisfeita. Ela admirava a simplicidade da coitada com a sensibilidade de quem contempla um quadro bem pintado. E tal admiração foi crescendo e se tornando cada vez mais recíproca.
Certo dia Clarice confidenciou a Maria sua paixão por escrever. Era coisa que fazia com alegria, de noite ou de dia, bastava a ideia nascer. E em forma de reconhecimento, por não dispor de outro instrumento, a amiga propôs presentear; contando com seu consentimento, disporia de seu conhecimento para num livro a sua história contar. Maria explodia de alegria por ver sua vida voltar a rimar. Mas Clarice morrera dali alguns dias, deixando tristeza e angustia em seu lugar. O que a empregada não esperava era que a patroa ainda guardava um segredo que a consumia. Ao lerem seu testamento descobriram seu intento de deixar tudo a Maria.

Por Thiago Mena

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sobre a monografia e a falta de tempo

Há momentos na vida em que você tem que escolher: ou escreve no Blog ou termina sua monografia. Mediante muito esforço, mas muito mesmo, escolhi a segunda opção. Excepcionalmente hoje resolvi parar pra respirar uns dois minutos  e passei por aqui antes de retomar. Fez falta... Então, para compensar o tempo que estive distante, ai vai um resumo daquilo que tomou toda a minha atenção durante estes últimos dois meses. Resumo da minha monografia:


Ensaios sobre a construção do conceito de Desvio Padrão: contribuições do jogo Enigma do Histograma
Esta pesquisa teve por objetivo explorar as potencialidades didáticas do jogo Enigma do Histograma no processo de construção e desenvolvimento do conceito de desvio padrão por professores de matemática. Esse jogo é um aplicativo computacional desenvolvido pelo próprio autor em pesquisas anteriores e consiste em uma seqüência de situações-problema envolvendo os conceitos de média e desvio padrão, a serem resolvidas a partir de um histograma interativo. Realizamos a aplicação do jogo para cinco alunos do curso de Mestrado Profissional em Educação Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo durante uma aula da disciplina de Estatística Descritiva cedida pela professora. Todos os participantes eram professores de matemática em exercício e já haviam tido contato com os conteúdos que estávamos trabalhando, tanto na graduação quanto no mestrado. A análise da aplicação evidenciou a grande dificuldade dos participantes em interpretarem a média e o desvio padrão a partir do registro gráfico, sem a utilização dos algoritmos de cálculo, e a fragilidade da apreensão conceitual sobre essas medidas apresentada pelos mesmos. Consideramos que o jogo contribuiu para elevar o nível de raciocínio utilizado pelos participantes na interpretação tanto da média quanto do desvio padrão, por viabilizar o apuramento dos argumentos explicitados por eles a partir de um processo de reflexão. Contudo, a mediação do pesquisador e da professora que acompanhou a aplicação, nesse processo, foi fator fundamental  para promover o avanço no nível de raciocínio – que não chegou a ser mensurado devido à limitação do tempo. Nesse sentido, sugerimos que, em pesquisas futuras, esse jogo seja estudado como parte integrante de uma sequência didática e seja avaliado por meio de uma escala adequada de níveis de raciocínio estatístico.

Palavras-chave: Desvio Padrão, Conceito, Jogo

sábado, 18 de setembro de 2010

Reflexões sobre Educação em Dora Incontri

Há cerca de três meses ouvi o nome de Dora Incontri pela primeira vez, em uma conversa informal durante um almoço na casa de meu pai. A partir dai, passei a me dedicar à leitura e ao estudo de uma de suas mais belas obras: o livro "A Educação segundo o Espiritismo". Esse livro se tornou meu companheiro inseparável nesses últimos dias. Hoje, com satisfação, e já com um pouco de saudades pelo fim do livro, venho tecer alguns comentários e, como não poderia deixar de fazer, registrar algumas frases de impacto expressas pela autora.  

Inicialmente, é necessário ressaltar que se trata de um livro instigante e inquientante. Daqueles que proporcionam uma semana de reflexão por parágrafo lido. Escrito de maneira clara e objetiva, passível de ser compreendido tanto por espíritas quanto por não-espíritas. Dora Incontri traz uma visão de Educação que integra as múltiplas vertentes do desenvolvimento humano, o que preenche de maneira coerente e fundamentada as lacunas da pedagogia atual. É um livro que não pode esperar mais para ser lido.

Eis, a seguir, algumas frases do livro que julguei interessantes, divididas por capítulos: 


IV. Fundamentos da Educação
"Educação é toda influência exercida por um Espírito sobre o outro, no sentido de despertar um processo de evolução. Essa influência leva o educando a promover autonomamente o seu aprendizado moral e intelectual. Trata-se de um processo sem qualquer forma de coação, pois o educador apela para a vontade do educando e conquista-lhe a adesão voluntária para uma ação de aperfeiçoamento." (p. 42)
"Educar é pois elevar, estimular a busca da perfeição, despertar a consciência, facilitar o progresso integral do ser." (p. 42)
"Educação intelectual é mais do que isso. É despertar a capacidade de auto-instrução, é formar o pesquisador de verdade, o amante da sabedoria, e provocar um ímpeto de busca e não apenas entregar algumas informações." (p. 45) 

XII. O Educando na Adolescência 
"Num planeta inferior como o nosso, ainda a predominância é do mal. Apesar disso, existem exceções. É preciso procurá-las com atenção." (p. 125)
"É claro que para se ter personalidade e ser diferente dos outros, não é preciso adotar atitudes que choquem a maioria, apenas com o objetivo de ser original. Pode-se perfeitamente usar calça jeans e ter uma cabeça própria. Mas é preciso proporcionar a oportunidade de reflexão e crítica, em que o indivíduo construa seu raciocínio e sua visão de mundo, sob a inspiração de pessoas elevadas e ideias sensatas e não se deixe invadir pelas vagas, confusas e incoerentes visões, que lhe chegam de toda a parte." (p. 126)

XVI. A Educação Moral 
"A moralidade é o pano de fundo, sobre o qual todas as outras qualidades do Espírito ganham brilho. O atraso moral, ao contrário, ofusca as mais belas conquistas da inteligência e da criatividade, da Ciência e da Arte." (p. 152)
"...pois quando, nas mínimas ações, perseveramos na execução até o final, vamos aprendendo a dominar a vontade." (p. 157) 

XVII. Educação Intelectual
"A concepção mais comum e ainda vigente em nosso sistema escolar é baseada muito mais na memória de conteúdos prontos do que num real desenvolvimento da mente." (p. 165)
"O próprio progresso material e tecnológico, científico e humanista do mundo está nos indicando algo que deve fazer parte do nosso Espírito: o empenho permanente de aprender e renovar-se, descobrir e elevar-se." (p. 165)
"A tecnologia hoje contribui para a democratização do conhecimento, pelas mídias e pela informática. [...] O que resta ao homem? Tudo. A criação, a interpretação subjetiva, filosófica, a sensibilidade, o julgamento crítico, a interação global do conhecimento..."
(p. 165-6)


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ajude-me a lutar contra isso!

Há tanta gente defamando a educação hoje em dia que quando você tenta ter uma opinião diferente é quase banido da conversa. Às vezes é melhor desistir e se juntar à maioria, maldizendo os professores, os governantes, os alunos, as escolas, as diretoras, os pais, as mães, as emissoras de televisão... Enfim, tem hora que sobra até pra Deus.

O processo é este: os mais velhos da "tribo" se encarregam de ensinar às próximas gerações toda a cultura "reclamística" que foi se desenvolvendo no decorrer dos anos. Então os mais novos - com exceção dos prodígios da "tribo" que desenvolveram o dom de questionar - de tanto ouvir, começam a repetir. Rapidamente, de tanto repetir, esses passam a criar uma ideologia. E acreditando naquilo, passam a defender, a colocar em prática, a fazer virar realidade.

Eu pergunto apenas: Valeu a pena???

E Fernando Pessoa me responde: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."

E eu volto a perguntar: Mas e quando a alma é sim pequena? 



Cri... Cri... Cri...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Educação & Vida


"A única finalidade da vida é mais vida.
Se me perguntarem o que é essa vida, eu lhes direi que é mais liberdade e mais felicidade.
São vagos os termos.
Mas, nem por isso eles deixam de ter sentido para cada um de nós.
À medida que formos mais livres, que abrangermos em nosso coração e em nossa inteligência mais coisas,
que ganharmos critérios mais finos de compreensão,
nessa medida nos sentiremos maiores e mais felizes.
A finalidade da educação se confunde com a finalidade da vida."

         (Anísio Teixeira)



Google Imagens
 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Muita Informação & Pouca Disposição

"Acredito no desenvolvimento profissional baseado no domínio do conteúdo, óbvio. Mas sinto que é insuficiente. Não importa que questões você está perguntando se, enquanto você as faz, os alunos estão correndo pela sala de aula." (por Elizabeth Green, publicado no The New York Times em 07/03/2010).

Quando começo a ler textos sobre educação, tudo parece ficar tão óbvio, tão claro. Chego a não entender porque há tanta dificuldade em transformarmos o contexto da educação brasileira. Mas percebo que é a falta de informação, ou melhor, a falta de interesse por essas informações, que contribui para mantermos uma prática estagnada, se não regressiva.

O problema é cada um querer ir por si, achar que é bom o suficiente e que é capaz de promover educação sozinho. Infelizmente ainda há muita ignorância nesse meio docente. Mas, como já dizia Paulo Freire, educação é política, não éh? E como é de conhecimento geral da nação, o problema da política é especificamente a ignorância. Sendo assim, a solução seria lutar contra ela. Mas como?

Simplesmente não me atrevo a pensar em estretégias para essa batalha. Até porque das muitas que já existem, apenas de mínima parte tenho conhecimento. Vou aqui, portanto, lutando contra a minha própria ignorância, estudando e praticando, estudando mais e praticando ainda mais. É quase que uma musculação docente. Sei que não vou conseguir mudar o mundo, mas se eu ficar musculoso já tá bom!

AbraÇOs

sábado, 21 de agosto de 2010

Construindo um Professor Melhor

Eis alguns trechos do artigo 'Construindo um Professor Melhor', publicado no jornal The New York Times, em 7 de março de 2010, por Elizabeth Green.

"Matemáticos precisam entender o problema apenas para si mesmos; professores de matemática precisam conhecer matemática e saber como 30 mentes podem entendê-la ou (des)entendê-la, e levar cada uma dessas mentes do não saber ao domínio. E precisam fazer isso em 45 minutos ou menos."


"Isso não era nem puro conhecimento do conteúdo nem aquilo que os educadores chamam de conhecimento pedagógico, um conjunto de fatos que independem do conteúdo da disciplina [...] Ball chamou isso de Conhecimento Matemático para Ensinar (ou M.K.T. na sigla em Inglês)."


"Ele teorizou que isso incluía tudo o que se compreende como matemática comum, entendida pela maioria dos adultos, até a matemática que apenas os professores precisam saber [...] ou qual é o sentido dos erros mais comuns e cotidianos que os alunos tendem a cometer quando começam a aprender." 


"No coração do M.K.T. estava a habilidade de sair de sua própria cabeça, de descentrar-se. Ensinar depende do que as outras pessoas pensam, disse Ball, não do que você pensa." 


Só pra eu não esquecer mais pra frente. Vou pensar sobre isso e volto a escrever.

Até mais.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

E eu que pensei que seria fácil


Como ficou explícito no meu último post, eu pensei que fosse ser fácil escrever sobre o tema que vem perturbando minhas idéias nos últimos tempos. MAS QUE ILUSÃO! Somente quando parei para escrever foi que descobri que não tenho condições de fazê-lo. Pelo menos não por enquanto. Quem sabe daqui uns 40 anos...

Só pra não deixar o clima de mistério, vou falar do que se trata. Na verdade eu queria descrever o que entendo por EDUCAÇÃO. Eu bem que tentei, mas não consegui. Simplesmente porque não sei. Tudo o que tenho são conjecturas e hipóteses que a experiência se encarrega de refutar. Assim fica difícil!

Mas para não perder a viagem, e para não deixar que este post vire apenas mais um desabafo sem nexo, acho interessante comentar o último fato que me inspirou algumas boas reflexões acerca do tema Educação.

Aconteceu em uma das minhas aulas de canto, de terça-feira à noite. O professor lá falando, falando e eu cá pensando, pensando... Às vezes aproveitava algumas das palavras dele para acrescentar às minhas idéias. Mas, de repente, fui obrigado a abandonar minha introspecção para reverenciar uma surpreendente metáfora. 

Dizia ele que, logo quando começamos as aulas de canto, ele pediu para que eu cantasse algumas músicas e percebeu que eu tentava ajuntar vários artifícios musicais de maneira descoordenada. Nesse sentido, informou que sua intenção seria me fazer conhecer cada um daqueles artifícios, de maneira a dominá-los, controlá-los e coordená-los.  

Ora, o que mais poderia ser Educação se não um processo de conhecimento das próprias potencialidades de modo a dominá-las, controlá-las e coordená-las? Afinal, nossa vida não é mesmo um cantar descoordenado quando não temos educação? 

Simples e objetivo, não? 
Nem tanto!!!
Educação é isso sim. Mas isso não é tudo. 
E o tudo? 
Sobre o tudo a gente pode conversar daqui uns 40 anos...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Reaquecendo os motores

 Sai que faz muito tempo que não posto nada neste blog. Parece que tudo por aqui andou meio esquecido, mas garanto que não é nem por falta de interesse, nem por fala de vontade.
Quase todos os dias acesso esta página e fico lendo e relendo os textos anteriores e esperando a próxima inspiração. Encaro isso como um exercício, uma atividade interessante.

E essa inspiração sempre vem!!! 

Dá vontade de escrever sobre tudo.
Mas sobre tudo o que? São tantas coisas...
E é ai que está o problema!

Tenho lido muitos blogs em que os donos pensam que estão escrevendo em um diário. Escrevem todos os seus dramas e frustrações, como que para limpar a chaminé.
Acho realmente muito pertinente essa atitude de descarregar tudo o que se está sentindo; ajuda a reorganizar as idéias. Mas qual é a vantagem de mostrar isso publicamente?

Meu último post foi um desses descarregos. Relendo-o várias vezes, percebo que não está de acordo com o que pretendia para meu blog. Por isso que parei de escrever.
Já fazem quase 9 meses que não escrevo mais nada. Mas encaro esses 9 meses não como uma falta de interesse em continuar escrevendo, mas como um processo de gestação. Assim também se defendia Friedrich Nietsche, não é mesmo? Pois é, acho que aprendi com ele!

Vim aqui hoje apenas para informar que esse período de gestação parece estar chegando ao fim. Parece que consegui amadurecer algumas idéias - coisas simples - mas provavelmente muito em breve elas estarão apresentadas aqui.

Saudações e até a  próxima!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Será que o sonho acabou?

Parece que nada mais me faz ter ânimo para voltar à escola. Parece que nada mais me motiva, inspira, comove ou impulsiona. Tudo parece tão frio, sem sentido, grande, determinado, conformado, outorgado. E todos os sonhos e os ideais, as expectativas e os planos, as idéias e as convicções, eram como castelos de areia que com o soprar do vento vão se desfazendo, e hoje já não existem mais. O que esperar do futuro? Será que esta é uma prova de que fiz a escolha errada? Ou será que estou vivendo uma provação para testar minha aptidão para a carreira de educador? Enfim, quantas coisas terei que mudar em mim para conseguir aceitar que eu não posso mudar o mundo? E se tenho que admitir que não posso mudar o mundo, será que então o sonho acabou?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Desabafo de professor, no dia do professor

Pois é, mais um 15 de outubro: DIA DOS PROFESSORES!

"Dia dos professores não trabalharem... Dia de ficarem matando aula..." Foi o que ouvi hoje cedo de uma vizinha, que ainda completou: "Que absurdo, meus filhos nunca têm aula; têm que ficar todos os dias em casa..." Esse certamente foi um ótimo início de dia. Mas não parou por ai. Ao entrar hoje no Orkut para ver meus recados, deparei-me com a seguinte mensagem: "Oi professor chato, Feliz dia dos Professores. Só não te dou presente porque você não merece!"

Revoltas à parte, confesso que não esperava receber tantas mensagens de cumprimento por esse dia. Além desses inconvenientes, já li tanta coisa boa hoje que até me inspirei para vir aqui escrever. Quero dar minha contribuição para homenagear esse profissional tão desvalorizado no contexto social atual; esse que quase sempre se sente frustrado por não conseguir educar os filhos dos outros; esse que sonha com a simples possibilidade de um dia viver num mundo melhor, acreditando que um dos principais fatores que contribuem para a realização desse sonho é a educação.

Sem entrar no âmbito da generalização, quero falar sobre a minha concepção de professor. E tenho tanta coisa pra falar que nem sei por onde começar. Vou começar falando que ser professor foi uma das tarefas mais frustrantes que já realizei na vida, pois sempre tentei dar o melhor de mim e fazer as coisas da melhor forma possível, mas ainda não obtive bons resultados. Eu até admitiria que o erro está em mim, em minha prática, se não tivesse certeza de que cerca de 90% dos professores também passam por isso, porém sem falarem abertamente. Essa é uma verdade que se constata simplesmente observando!

Quase todos os dias, dentro da escola, ouço frases do tipo: "Mas você é tão novo! Porque vai ficar sofrendo dando aula? Você tem muito potencial pra ficar desperdiçando aqui. Escolhe qualquer outra coisa, certamente você terá muito mais sucesso profissional." Devo admitir que, querendo ou não, uma hora vou ser obrigado a aceitar esse conselho. Realmente não é possível viver simplesmente sendo professor nos dias de hoje. A Engenharia que me aguarde! Mas mesmo trabalhando em outra coisa, sinto que nunca deixarei de ser professor.

Como ouvi certa vez, de um senhor extremamente inteligente que coordena o grupo de crisma na minha comunidade, "professor não é uma profissão, é um sacerdócio!" Acredito que ser professor é uma arte, uma ciência, uma filosofia... É a consciência da incompletude, é a sede por conhecimento, é uma reunião de enfrentamentos, é a necessidade de luz e ao mesmo tempo a própria luz. Um professor é muito mais professor para si mesmo do que para os alunos, na incessante tarefa de tornar seus conhecimentos tácitos em explícitos. Professor é um ser raso que, por ter consciência disso, almeja se tornar profundo.

Quando penso no contexto da educação no mundo atual, quase não consigo esconder minha decepção. Sempre me pego tentando encontrar culpados pelo fracasso da escola. Mas ultimamente tenho pensado nisso de uma forma diferente. Acho que o ser humano ainda não tem amadurecimento suficiente para compreender e reger esse complexo sistema que é o da educação. Ainda temos muito a evoluir para descobrirmos qual o verdadeiro papel do professor, se é que este termo "professor" ainda existirá no futuro...

Não me lembro muito bem, mas li uma vez, no livro 'Escritos da Maturidade' de Albert Einstein, alguma coisa dizendo que a educação deve ser livre e democrática, e uma forma de se atingir isso é tirando o poder do professor. Percebo que estamos realmente convergindo para algo desse tipo. É necessário desorganizar completamente o antigo sistema para gerar uma nova organização. Se não conseguimos ver resultados em curto prazo, talvez as próximas gerações possam conceber uma nova forma de se encarar a educação.

E nesse sentido eu começo a pensar que não tem fundamento dizer que os jovens de hoje não têm valores morais, pois, na verdade, o que são valores morais? Essa é uma questão muito particular... Eu, enquanto professor, tenho que deixar que meus alunos vivam todas as inovações e experiências que acompanham a geração deles. Ainda não sei se é correto afirmar isso, mas acho que é o professor que tem que se adaptar às mudanças comportamentais da atualidade. Não adianta julgar os alunos por ouvirem funk, usarem roupas curtas ou falarem de sexo cada vez mais cedo. Essa é a realidade e cabe a nós aceitarmos e adequarmos nosso trabalho a esse contexto.

Não sei se realmente concordo com tudo isso que escrevi no último parágrafo, mas tentarei esclarecer melhor minhas idéias e volto a escrever sobre isso num próximo post! Até mais.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Você já pensou em como você aprende?

Hoje acordei com uma vontade estranha de escrever sobre aprendizagem. Será que é grave?? Acho que não! Tenho lido tantas besteiras em blogs por ai que estou até revendo meus conceitos (e preconceitos) quanto à valorização das minhas idéias. Talvez tenha sim alguma utilidade um texto escrito por um cara leigo, mas com sede de filosofia, ou talvez um cientista novato, mas não menos curioso... Gostou ou quer mais? Heheheheheh. Vamos aos fatos.

Tudo começou quando minha professora de Psicologia da Pós-Graduação, Ana Lúcia Manrique, pediu, na aula, para que fizessemos uma redação com o título "Como eu aprendo?". Nesse momento eu me dei conta de que nunca havia parado para pensar nisso. Fiz um texto meio de qualquer jeito lá na hora, pois não havia tempo para muitas reflexões. Contudo, a partir disso, passei a me deparar constantemente com momentos de reflexão sobre questões do tipo: como eu aprendo? por que eu aprendo? o que é importânte aprender? e blá-blá-blá.

Fiquei tão fissurado pelo assunto que, no início das aulas deste ano, a primeira atividade que propus aos meus alunos do ensino médio foi: "Escreva uma redação com o título 'Como eu aprendo?'". O resultado foi surpreendente! Muitos dos alunos escreveram que, assim como eu, nunca haviam pensado nisso antes. Alguns deram depoimentos de revolta com relação à escola, que deixa muito a desejar, e com relação aos colegas, que tumultuam as aulas e atrapalham a concentração. Outros, porém, conseguiram caracterizar de maneira brilhante, salvas suas limitações, seu próprio processo de aprendizado, e ainda complementaram o tema respondendo a questões relativas ao "porquê aprender" e ao "o quê é importante aprender".

Depois dessa experiência, voltei a pensar no texto que tinha escrito na aula da Pós e resolvi refazê-lo. Hoje percebo que minhas reflexões têm me surpreendido um pouco. Acho que estou no meio de um processo de ampliação da concepção que tinha sobre aprendizagem, que é consequência das novas respostas que tenho obtido para as questões acima.

Pelo que me lembro, houve um tempo em que eu considerava o aprendizado como um ato em sim mesmo, ou seja, aprender simplesmente por aprender. Mas hoje o simples aprender por aprender já não faz tanto sentido para mim. Continuo sim considerando o ato de aprender como uma das tarefas mais prazerosas que posso realizar, mas já não quero mais aprender qualquer coisa, de qualquer jeito.

Dizer que nem professores nem alunos estão seguros e preparados para responder questões relativas a como, porquê e o quê é importânte aprender é, no mínimo, otimista. Eu ouzaria dizer que muitos alunos e professores me chamariam de ridículo por estar interessado por este assunto, afinal de contas a gente aprende porque é importânte, importânte para a vida, para poder ser alguém, e ser alguém é importânte para ter um emprego, e ter um emprego é importânte para a vida, e ter uma vida é importânte porque... Ah, porque sim!

domingo, 2 de agosto de 2009

Acabando de perceber o poder da história

Sabe aquela sensação que dá quando você entra numa biblioteca e fica pensando: "Mew, quanta coisa ainda tenho pra ler... Nunca vou dar conta de tudo!!", depois tira um monte de livros da prateleira e fica lendo o resumo da parte de trás da cada um, quase lambendo os beiços?? Pois é, eu sentia isso de segunda a sexta-feira, quando dava aulas de reforço na sala da biblioteca da escola, no semestre passado.

Foi inesquecível! Tinha dias que torcia pra não ir aluno nenhum pra aula, para eu poder ficar lá sozinho lendo. E minha torcida era tão eficaz que consegui ler quase uma prateleira inteira de livros de matemática que encontrei.

Antes de terminarem as aulas do semestre, aproveitei para pegar um desses livros para ler nas férias. Era um que tinha deixado por último porque era enorme. "O teorema do papagaio" (ou, como disse minha mãe na primeira vez que viu: O terremoto do Paraguai), de Denis Guedj. As últimas 100 páginas terminei de ler hoje. É um verdadeiro 'thriller' da história da matemática, como estampado na capa. INCRÍVEL!!! Recomendo a todos, e gostaria muito de saber a opinião de um não-matemático, para ter uma idéia de qual a impressão tida por esse ao percorrer boa parte do universo da matemática por meio de sua história. Minha irmã falou que vai ler... Quero só ver!

Quanto a esta idéia de abordagem da matemática por meio de sua história, achei surpreendente. Tinha assistido aulas de história da matemática na faculdade mas, apesar de o professor ser ainda hoje uma referência na área, seu enfoque foi extremamente macanicista e algorítmico. Ah, como eu queria ter ouvido todas essas histórias que li no livro, de um professor que as conhecesse bem, que as tivessem estudado com maior profundidade.. Seria uma verdadeira viagem!

Sem contar que com essa leitura comecei a obter muitas respostas que talvez nunca teria conhecido se tivesse continuado me afundando nos cálculos (isso realmente estava me saturando!). Eu não tinha noção alguma sobre a epistemologia do conhecimento matemático e sobre o porquê de ensinar e de continuar aprendendo essa matéria.

"Como eu posso convencer os meus alunos da importância de se aprender Matemática, se nem eu estou convencido disso?" é uma questão que tem me acompanhado ultimamente. Não estou certo de que estou realmente convencido dessa importância, parece que ainda falta muita coisa a saber, para que eu possa fazer algumas ligações mais completas. Em todo caso, no 'teorema do papagaio' o próprio autor ressalta que "as verdades da ciência necessitam de belas histórias para que os homens se apeguem a elas". Ta aí, acho que preciso aprender a contar histórias...

sábado, 22 de novembro de 2008

Um recomeço contínuo, um amadurecimento constante, uma eterno aprendizado

Espero que desta vez dê certo! Estou aqui pela terceira vez reiniciando meu blog. São muitos os motivos que me levaram a essa decisão, mas o principal foi o fato de até hoje eu não ter conseguido realizar meu objetivo. Pode ser que também não consiga desta vez, mas faz parte. Da última vez que tentei, realmente não consegui publicar nada de interessante, eu admito. "É complicado achar inspiração para escrever" era o que eu pensava, mas hoje vejo que essa máxima contraria minhas aspirações. O que pretendo com este blog é exatamente isto: exercitar minha criatividade e minha escrita. Quero começar a registrar todos esse pensamentos que ficam me atormentando constantemente, dia e noite, noite e dia, sem trégua! Quero escrever para que essas idéias passem do nível do pensamento para o real, provocando transformações de qualquer ordem, porque eu já não aguento mais esperar. Não aguento mais esperar o longo prazo, porque me parece que a cada dia que passa ele fica mais longo. Acho que ainda tenho muito a explorar e não pretendo esperar ficar velho para descobrir certas coisas. Como é bem reconhecido, a maioria dos grandes filósofos e matemáticos fizeram suas maiores descobertas em sua juventude, até porque muitos deles não viveram muito mais do que isso. (Ponto)