domingo, 22 de janeiro de 2012

E a Moral da Educação?

Este texto estava esquecido no meu e-mail há mais de 1 ano. Tinha começado a escrevê-lo, mas parei por falta de tempo. Então, pedi que minha irmã, Dayse Paula, acrescentasse mais algumas considerações. Ela fez a parte dela, mas até hoje eu ainda não havia parado para lê-lo e publicá-lo. Finalmente encontrei um tempinho.
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Trecho da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948:






 Artigo XVIII - Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

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Fonte: Google Imagens
Nos últimos tempos, tenho percorrido caminhos que me levaram a buscar uma analise mais criteriosa dos conflitos entre as dimensões moral e intelectual da educação, no sentido de responder a questionamentos tais como: até que ponto o professor deve se preocupar e se empenhar para promover o desenvolvimento moral dos alunos?
Achei bastante forte essa questão. Não há dúvidas de que para se ter uma educação integral, ambas as dimensões devem caminhar juntas. Mas percebo que existe um tabu dentro da escola quando o assunto é desenvolvimento moral, assim como vejo dentro das igrejas uma grande despreocupação com o desenvolvimento intelectual. Parece até que houve uma distribuição de responsabilidades e que cada instituição cumpre a sua tarefa sem admitir interferências.
E agora, o que fazer? Assumir isso como uma questão cultural e, ao ir para o trabalho - nós, professores - guardarmos nossos ideais e valores numa caixinha para não corrermos o risco de exercer alguma influência nos ensinamentos familiares e religiosos de âmbito moral dos alunos, centrando-nos apenas no desenvolvimento intelectual? Felizmente não é isso que é defendido no Artigo XVIII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, reproduzido acima. 
Se temos uma religião, uma filosofia de vida, uma ideia sobre o que é certo e o que é errado, uma concepção sobre sexualidade, um gosto musical, um partido político, uma comida preferia, é porque fizemos, em algum momento de nossa vida, uma escolha. Logo, como querer mascarar/esconder/camuflar essas escolhas na atividade educativa, almejando uma falsa neutralidade? Tudo o que falamos ou fazemos está carregado dessas escolhas que fizemos. Somos, no fundo, resultado delas.
É fato, porém, que as escolhas são compatíveis ao estágio de evolução moral de cada um. Nesse sentido, dado que temos liberdade de manifestação de pensamento, consciência e religião pelo ensino, a resposta à minha questão inicial - até que ponto o professor deve se preocupar com o desenvolvimento moral dos alunos? - pode mudar de perspectiva. A influência que exercemos pelo simples contato com os alunos já é uma influência de âmbito moral. Então, talvez a questão correta fosse "até que pondo o professor deve se preocupar com seu próprio desenvolvimento moral?", pois isso implica reavaliar suas escolhas e refletir sobre suas atitudes, na busca de sua reforma pessoal. 

Por Dayse Paula: 
Estamos carregados das nossas escolhas e nos nossos relacionamentos essas escolhas ficam evidentes. Daí entra o tal do preconceito, se eu mostrar como realmente sou, fico vulnerável às críticas alheias, por isso em grande parte das vezes eu finjo ser "neutro". Se tomarmos como exemplo os grandes martíres da humanidade é possível perceber que eles se tornaram exemplos a serem seguidos por defenderem aquilo que acreditavam com o objetivo de transformar o mundo. Na verdade não tomamos isso como exemplo, temos medo de nos expor.
Um professor que toma essa postura diante dos seus alunos está livre das críticas dos pais, dos colegas, mas não está dando tudo de si. Está na superfície e é necessário ir até as profundezas do vasto campo da pedagogia para extrair o que há de melhor nos alunos. Acho até que os alunos tendem a levar isso para casa, essa neutralidade, essa aceitação de tudo sem se questionar, sem discordar, sem opinar sobre as coisas.

O professor, aquele que prepara os cidadãos para o futuro não deve compactuar com isso.

As crianças passam grande parte do seu tempo na escola. Será que existe uma maneira de deixar a moral em casa e ir para a escola? Na hora de voltar para casa é possível deixar o cérebro no armário?

Desenvolvimento intelectual faz com que pensemos mais sobre o mundo, sobre os nossos valores éticos e morais. O desenvolvimento moral só é possível por meio de pensamentos e questionamentos críticos em relação a mim e ao mundo. Logo, não dá para separar o inseparável, uma coisa depende da outra.

Um comentário:

Dayse Paula disse...

Não lembrava mais deste texto e adorei o seu, muito bem explorado, como sempre.